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Alice Shintani, Ivan Campos e Rebeca Carapiá inauguram exposições simultâneas na Almeida & Dale

Com abertura em 7 de novembro, programação reúne pinturas, esculturas e intervenções que articulam paisagem, matéria, espaço e contexto político

Alice Shintani, Ivan Campos e Rebeca Carapiá inauguram exposições simultâneas na Almeida & Dale
No sentido horário, a partir do topo: Alice Shintani, Sem título, da série [Untitled, from the series] Amarelinha, 2026 (foto: Estúdio em Obra); Rebeca Carapiá, Sem título [Untitled], 2026 (foto: Estúdio em Obra); e Ivan Campos, Sem título [Untitled], s.d. [n.d.] (foto: Sergio Guerini).

A partir de 7 de novembro, os dois espaços da Almeida & Dale na Rua Fradique Coutinho recebem três novas exposições. No número 1360, Alice Shintani apresenta “Amarelinha”, sua primeira individual na galeria. A poucos metros dali, no 1430, “Hino às galáxias – Intuição e construção na pintura de Ivan Campos”, com curadoria de Lisette Lagnado, marca a primeira exposição individual do artista acreano em São Paulo, enquanto Rebeca Carapiá estreia na Almeida & Dale com “Ainda quero mergulhar na distância”. As três mostras permanecem em cartaz até 9 de janeiro de 2027.

Alice Shintani articula pintura, tempo e espaço em “Amarelinha”

 

Alice Shintani, Seattle, 5 de janeiro de 2027, da série [from the series]Datadas, s.d. [n.d.].
Alice Shintani, Seattle, 5 de janeiro de 2027, da série [from the series]Datadas, s.d. [n.d.]. Foto: Estúdio em Obra.

Em “Amarelinha”, Alice Shintani reúne pinturas inéditas de grande formato que retomam procedimentos formais desenvolvidos em diferentes momentos de sua produção, pequenas telas distribuídas pelos espaços de trabalho da galeria e uma intervenção com fitas amarelas de demarcação de piso. Cada uma das pequenas pinturas registra a data 5 de janeiro de 2027 segundo uma convenção cultural de datação e escrita. As fitas percorrem a entrada, o corredor, a sala expositiva, a copa, o toalete e os escritórios. 

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Sem recorrer à ilustração ou ao comentário direto, a exposição relaciona territórios e afetos atravessados pelo contexto político do país e retoma questões centrais da trajetória da artista. Como escreve José Augusto Ribeiro, o trabalho de Shintani “age no entorno da pintura: interfere no ambiente onde se apresenta, testa os condicionamentos da percepção de seus observadores e interroga, de maneira sorrateira, certos parâmetros que estruturam o circuito de arte”.

Ivan Campos transforma a Floresta Amazônica em paisagem mental

Ivan Campos, Sem título [Untitled], 2025.
Ivan Campos, Sem título [Untitled], 2025. Foto: Sergio Guerini.

Com curadoria de Lisette Lagnado, “Hino às galáxias – Intuição e construção na pintura de Ivan Campos” apresenta um panorama conciso da produção do artista acreano, com obras inéditas e pinturas realizadas desde a década de 1990. A mostra ocorre dois anos após sua participação no 38º Panorama da Arte Brasileira, realizado pelo MAM São Paulo no MAC USP, em 2024.

Nascido em Rio Branco, Ivan Campos construiu grande parte de sua trajetória ligado ao Acre e distante dos principais circuitos profissionais. Suas pinturas partem de uma relação vivida com a floresta, mas recusam a paisagem naturalista. Em superfícies densamente trabalhadas e de tratamento cromático singular, vegetais, minerais e animais surgem aos poucos, entre o reconhecimento e a dissolução.

Para Lisette Lagnado, o artista prefere “sondar as entranhas da paisagem mental”. Segundo a curadora, essas manifestações incidem sobre as telas com extrema sutileza e “desafiam a distinção entre figura e fundo, próximo e distante”.

Na pintura de Ivan Campos, águas, folhas, raízes, toxinas, sedimentos, fungos e bactérias são transformados em matéria pictórica, compondo as “galáxias” que dão título à exposição.

Rebeca Carapiá coloca água e metal em equilíbrio

 

Rebeca Carapiá, Número 17, da série [from the series]Como criar raízes aéreas, 2026.
Rebeca Carapiá, Número 17, da série [from the series]Como criar raízes aéreas, 2026. Foto: Estúdio em Obra.

Com texto crítico de Cindy Sissokho, “Ainda quero mergulhar na distância” reúne esculturas inéditas de ferro e cobre, em dimensões que vão da escala das mãos a proporções próximas às do corpo humano e das árvores. Logo na entrada, uma obra monumental combina ferro e água, que pela primeira vez passa a integrar fisicamente uma exposição de Rebeca Carapiá.

Presente há anos na pesquisa da artista, a água atua na exposição como matéria, ambiente e força capaz de desestabilizar a solidez do metal. Sua presença retoma questões ambientais e territoriais que atravessam a sua obra, aprofundando a investigação sobre as relações entre corpo, matéria e transformação.

“Eu dobro meu corpo no ferro, e o ferro dobra comigo. Há um movimento de diálogo, de acordo, uma permissão”, afirma Rebeca Carapiá.

As obras partem de desenhos, anotações, estudos e protótipos elaborados em cadernos, nos quais a artista desenvolve uma espécie de caligrafia abstrata. Na exposição, esse vocabulário assume novas escalas e configurações: esculturas menores, trabalhos tridimensionais de parede e estruturas mais pesadas convivem com peças de dimensão monumental.

A paisagem funciona como fio condutor entre a Cidade Baixa, em Salvador, onde a artista nasceu e aprendeu técnicas que ainda orientam seu trabalho, Paris, onde realizou residência na Cité Internationale des Arts, e São Paulo, cidade em que vive atualmente. Questões presentes em “Apenas depois da chuva”, apresentada no Inhotim em 2024, e em “Como criar raízes aéreas”, realizada na 36ª Bienal de São Paulo, em 2025, reaparecem agora deslocadas por novas experiências e procedimentos.

Como observa Cindy Sissokho, a abstração da artista recusa expectativas de representação direta. “A Cidade Baixa nunca é retratada. Ela sobrevive no conhecimento do metal, no gesto aprendido no ateliê de seu bairro, nas marés que a artista aprendeu a ouvir. Ela viaja com a artista, remodelada por cada território que ela cruza e ao qual retorna.”

Serviço

 

“Amarelinha”

Artista: Alice Shintani

Texto: José Augusto Ribeiro

Abertura: 7 de novembro de 2026

Visitação: de 7 de novembro de 2026 a 9 de janeiro de 2027

Local: Almeida & Dale Fradique 1360

Endereço: Rua Fradique Coutinho, 1360, São Paulo – SP

Horários: de segunda a sexta, das 10h às 19h. Sábados, das 11h às 16h

Entrada gratuita

 

“Hino às galáxias – Intuição e construção na pintura de Ivan Campos”

Artista: Ivan Campos

Curadoria: Lisette Lagnado

Abertura: 7 de novembro de 2026

Visitação: de 7 de novembro de 2026 a 9 de janeiro de 2027

Local: Almeida & Dale Fradique 1430

Endereço: Rua Fradique Coutinho, 1430, São Paulo – SP

Horários: de segunda a sexta, das 10h às 19h. Sábados, das 11h às 16h

Entrada gratuita

 

“Ainda quero mergulhar na distância”

Artista: Rebeca Carapiá

Texto: Cindy Sissokho

Abertura: 7 de novembro de 2026

Visitação: de 7 de novembro de 2026 a 9 de janeiro de 2027

Local: Almeida & Dale Fradique 1430

Endereço: Rua Fradique Coutinho, 1430, São Paulo – SP

Horários: de segunda a sexta, das 10h às 19h. Sábados, das 11h às 16h

Entrada gratuita

 

Telefone: (11) 3031-6007

Site: www.almeidaedale.com.br

Instagram: @almeidaedale

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